Diabinhos lúgubres
Trago em mim
demônios emudecidos
como se
fossem aluviões
consumindo
minha alma;
sedimentos escarnecidos
pelo medo;
presos em
busca de luz.
Estes me são
penosos e caros,
distorcem a
humanidade que habita em mim
e ferem-me
razão,
sou irracional,
nestes momentos
onde percorro
a estrada da maldade,
impiedosamente,
empenho a ira
e, destarte
as dores e os estertores da agonia violenta,
emudeço o
rancor, contudo, endureço o coração.
Observo
calado o mundo,
meus olhos,
não enxergam, vertem cinismo,
rio,
sarcástico, o que aqui está é imundo,
não tem luz,
é pus, excrementos e flores
do mal e
humano, egoísmo santificado,
por palavras ditas
inocentes, mas calculadas,
tapinhas nas
costas e, ora bolas, algumas facadas.
(risos, ritos
e orações, a face enrugada do corruptor)
O mal mora em
mim, estou calado
repudio a
conivência tão minha,
ante os descarados,
estes nefandos,
egoístas e
impiedosos, silenciosos, atuando,
poderosos até
o fim dos dias humanos,
malbarata
minha existência,
sou fraco, um
demônio com dentes rotos
e coração
apodrecido;
o mal está em
mim, sou o mal e morro,
distante da
indignação natural dos corajosos.
Roberto Almeida
02-08-10

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