quarta-feira, 5 de setembro de 2012


Diabinhos lúgubres

Trago em mim demônios emudecidos
como se fossem aluviões
consumindo minha alma;
sedimentos escarnecidos pelo medo;
presos em busca de luz.

Estes me são penosos e caros,
distorcem a humanidade que habita em mim
e ferem-me razão,
sou irracional, nestes momentos
onde percorro a estrada da maldade,
impiedosamente, empenho a ira
e, destarte as dores e os estertores da agonia violenta,
emudeço o rancor, contudo, endureço o coração.

Observo calado o mundo,
meus olhos, não enxergam, vertem cinismo,
rio, sarcástico, o que aqui está é imundo,
não tem luz, é pus, excrementos e flores
do mal e humano, egoísmo santificado,
por palavras ditas inocentes, mas calculadas,
tapinhas nas costas e, ora bolas, algumas facadas.
(risos, ritos e orações, a face enrugada do corruptor)

O mal mora em mim, estou calado
repudio a conivência tão minha,
ante os descarados, estes nefandos,
egoístas e impiedosos, silenciosos, atuando,
poderosos até o fim dos dias humanos,
malbarata minha existência,
sou fraco, um demônio com dentes rotos
e coração apodrecido;
o mal está em mim, sou o mal e morro,
distante da indignação natural dos corajosos.

Roberto Almeida
02-08-10


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